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Enquanto o fim da escala 6×1 ainda é discutido na Câmara dos Deputados, algumas redes de supermercados decidiram se antecipar e passaram a garantir dois dias de folga semanais aos funcionários, adotando o modelo 5×2. Pela legislação trabalhista em vigor, o trabalhador formal tem direito a apenas um dia de descanso por semana.

Um dos exemplos é o Grupo Savegnago, rede com 73 unidades e cerca de 14 mil colaboradores, com forte presença no interior de São Paulo. A empresa oficializou neste mês o encerramento da escala 6×1, após um período de testes iniciado em novembro. Segundo a direção, a mudança foi consolidada após a constatação de aumento na produtividade.

Em entrevista ao UOL, o gerente de Recursos Humanos da rede, Michel Campos, afirmou que a carga horária diária passou de 7h20 para 8h48, mantendo as 44 horas semanais previstas em lei. De acordo com ele, não houve redução salarial.

Outra empresa que adotou o modelo 5×2 foi a rede Pague Menos, que possui 40 lojas e aproximadamente 8 mil funcionários no interior paulista. A decisão também veio após fase de testes.

No Congresso, a proposta de extinção da escala 6×1 foi encaminhada neste mês à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. O colegiado é presidido pelo deputado federal Leur Lomanto Júnior (União Brasil).

O tema, no entanto, divide opiniões no setor produtivo. O presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso, avalia que a mudança pode elevar custos e reduzir a competitividade da indústria.

Ele cita estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que projeta impacto de quase R$ 180 bilhões em custos adicionais caso a jornada semanal seja reduzida de 44 para 36 horas.