Com a Quadra de Esportes do Colégio Dínamo lotada e público acompanhando a programação também na área externa, Alagoinhas recebeu, nesta quinta-feira (23), a plenária do Programa de Governo Participativo (PGP) 2026 – Encontros para o Futuro no Território Litoral Norte e Agreste Baiano. Diante de prefeitos, parlamentares, movimentos sociais, juventudes e lideranças dos municípios da região, o governador e pré-candidato à reeleição, Jerônimo Rodrigues, afirmou que os avanços alcançados nos últimos anos precisam ser acompanhados da ampliação das políticas públicas e do enfrentamento às desigualdades históricas.
Ao falar sobre sua própria trajetória, Jerônimo disse se reconhecer na realidade de milhares de baianos que cresceram sem acesso a direitos básicos. Para o governador, ser identificado como alguém que tem “a cara do povo da Bahia” não está relacionado apenas à sua origem, mas à história que compartilha com a população.
“Quando Wagner, Rui e Otto chegaram aqui à frente para dizer que eu tenho a cara do povo da Bahia, isso me orgulha. Mas não é só a cara, não. É a história. É a minha história, que é a mesma de vocês. Nasci na roça, morei numa casa que não tinha energia elétrica, não tinha água tratada, não tinha escola por perto, não tinha UBS nem posto de saúde”, afirmou.
Jerônimo reconheceu as transformações realizadas nos municípios por meio da atuação conjunta de prefeitos, vereadores, deputados e senadores, mas ressaltou que ainda há desafios a enfrentar.
“Quando a gente olha para a história de cada município, vê o que nós já fizemos. Fizemos muito, muito. Mas ainda temos que fazer muito. Nós ainda temos uma dívida com o povo da Bahia. Essa dívida não fomos nós que criamos. Foi um sistema, e nós estamos consertando, fazendo um Brasil e uma Bahia para nós, para os indígenas, para os negros, para as mulheres, para as pessoas com deficiência, para os idosos e para a comunidade LGBTQIA+”, declarou.
Durante o discurso, o governador também citou direitos conquistados ao longo da história e defendeu a continuidade da mobilização em torno das pautas da classe trabalhadora. Jerônimo mencionou o debate sobre a jornada de trabalho seis por um e comparou as resistências atuais aos argumentos utilizados, no passado, contra a garantia de direitos trabalhistas.
“A classe trabalhadora é uma classe injustiçada. Nós estamos com a pauta da jornada de trabalho seis por um, que está lá até hoje parada. Os argumentos são os mesmos de 40 ou 50 anos atrás, quando nós não tínhamos o direito de ter uma carteira assinada. Diziam que, se dessem carteira assinada ao povo, haveria desemprego e inflação. Hoje nós temos esse direito e sabemos que não houve desemprego nem inflação por causa disso”, recordou
O governador também lembrou processos históricos que retardaram o acesso de mulheres, negros e trabalhadores a direitos fundamentais. “Nós fomos o último país da América a dar à mulher o direito de votar. Fomos o último país a acabar com a escravidão e o último a ter uma primeira universidade. Tudo foi montado para a gente não ter consciência que questionasse”, disse.
Pacto pela vida das mulheres
Representando os movimentos sociais, Ednajara Lima, integrante do Movimento de Mulheres de Alagoinhas, levou ao centro da plenária a defesa de um pacto pela vida das mulheres. Ela cobrou o fortalecimento das políticas de enfrentamento à violência e afirmou que não é mais possível naturalizar o assassinato de mulheres no país.
“Nós não podemos contar mais corpos de mulheres assassinadas todos os dias. Queremos ter o direito de ir e vir, andar nas ruas sem sermos assassinadas ou molestadas. É isso que eu peço: um pacto pela vida das mulheres”, reforçou.
Juventude e acesso à universidade
Representando a juventude, Davi Gouveia, presidente do Diretório Central dos Estudantes do Centro Universitário Santíssimo Sacramento, relacionou sua trajetória acadêmica às políticas públicas de acesso ao ensino superior. Ele destacou programas como o Prouni e o Sisu e afirmou que muitos jovens presentes na plenária chegaram à universidade por meio dessas iniciativas.
“Eu sou fruto das políticas públicas. Graças ao Prouni, ao Sisu e às oportunidades criadas, eu e muitos dos meus companheiros podemos estar na universidade”, afirmou. Davi também defendeu maior presença da juventude nos espaços de decisão e criticou a baixa representatividade no Congresso Nacional.
A fala dialogou com o Ato das Juventudes realizado antes da plenária, quando Emanuelle Ferreira, de 19 anos, defendeu que os jovens ocupem a política, conquistem voz e superem um modelo no qual as decisões permanecem concentradas nas gerações mais velhas.



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